Top10 – Anti-Heróis Clássicos

Tangas fiquem longe. Aqui só tem cabra macho.

Related Posts with Thumbnails » 16 de março de 2009, às 9:00 am
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Yin e Yang. Luz e Trevas. Bem e Mal. Essa visão dualista do mundo está presente em grande parte dos filmes, principalmente no que se diz a indústria maniqueísta hollywoodiana. Os heróis sempre retratados como tangas bonzinhos que seguem um ideal de paz e justiça – seus rivais? Vilões sem coração que exalam maldade até pelo suor, aproveitando cada momento que aparecem na tela para mostrar o quão cruéis podem ser.
Ambos arquétipos rasos e sem carisma, já que é impossível se identificar com personagens tão extremos. Somos humanos antes de tudo, e nem mesmo personalidades icônicas como Hitler e Gandhi, conseguiriam se espelhar no que nos é mostrado na telona. Afinal, o “mocinho” não pode ter um momento de egoísmo? Ou o vilão não pode mostrar misericórdia?
Buscando sanar essa necessidade surge a figura a do anti-herói, que pode ser tanto aquele herói sem características do rótulo, sejam físicas e/ou morais, ou o vilão que causa empatia com o espectador, podendo até mesmo praticar atos que não sejam vis. Um exemplo clássico é o fato de personagens como Wolverine, Batman e Cebolinha, terem mais fãs do que Ciclope, Capitão América, e Horácio.
A 7ª arte nos providenciou uma galeria enorme de anti-heróis, e é por isso que eu e a Uiara, estaremos trazendo através da Clássico é Clássico e da Primeira Fila, dois Top 10 – um de personagens clássicos, e outro com contemporâneos (dividido em antes e depois de 1980). Enjoy !

10) Jack Carter (Michael Caine – Carter, o Vingador)

Ps. Façam valer essa coluna, e não assistam o remake protagonizado por Stallone.
Se tivesse que classificar a década de 70 de alguma forma, com certeza seria como “O Apogeu dos Anti-Heróis”. Sério. Percebam como filmes com esse tipo de personagem se acentuam em épocas de crise política – como no caso da Guerra do Vietnã, justamente servindo para exteriorizar o medo e a raiva reprimidas da população. Um exemplo perfeito disso é Jack Carter. Como muitas figuras do gênero, o personagem de Caine estava atrás de vingança, mas ao contrário da maioria – não foi essa busca que iniciou seu modo cruel e seco de ser, ela apenas colocou ainda mais em evidência. Ameaçador, assassino, sádico e fodão, Carter foi uma grande resposta do cinema britânico ao anti-herói abaixo…

9) “Dirty” Harry Calahan (Clint Eastwood – Perseguidor Implacável)

“Do I feel lucky? Well, do ya, punk?”

Um dos personagens mais marcantes de Clint, Dirty Harry era um policial que não se preocupa em quebrar qualquer tipo de lei para realizar seus trabalhos. Afinal, para ele os fins justificam os meios, mesmo que isso signifique cuspir sobre os direitos humanos.
Você pode até odia-lo, mas se precisa de alguém para um serviço, Harry Calahan é seu nome.

8) Michel Poiccard (Jean-Paul Belmondo – Acossado)

Sim. Protagonista do principal filme francês no periodo da “nouvelle vague”, dirigido por Godard. Mas não se deixem enganar, Acossado é muito mais interessante do que pode parecer. Poiccard é um pequeno ladrão, esperto e carismático, que vê as coisas complicarem após matar um policial. Mesmo assim este vai para Paris, comete pequenos delitos, engana a polícia, dá uns pegas em uma loirinha, sem nunca perceber o quão grave está sua situação. Irresponsável e imprevisível, Michel Poiccard se mostra o anti-herói perfeito para a revolução que esta obra representou para o cinema – foi o marco inicial do chamado cinema moderno.

7) Jimmy “Popeye” Doyle (Gene Hackman – Conexão França)

Em um filme que normalmente pediria um herói que fosse um exemplo de moralidade, Hackman nos traz uma antítese da figura do policial até então mostrado por Hollywood. Racista, arrogante e até mesmo criminoso, Doyle não se importa de atirar pelas costas ou colocar a vida de inocentes em perigo. Para facilitar seu objetivo de desmantelar um cartel de traficantes de heroína, tudo é válido. O que difere ele dos outros “policias machões”? Simples: nenhum outro foi pego acorrentando na cama com uma prostituta.

6) Bonnie Parker e Clyde Barrow (Warren Beatty e Faye Dunaway – Bonnie e Clyde – Uma Rajada de Balas)

O casal de bandidos mais famosos dos Estados Unidos deve sua empatia instantânea com o público à romanceada que deram a história real. Em uma época em que reinava o anti-autoritarismo (com movimentos como o Black Power e o Hippie), a história de uma apaixonada dupla de meliantes, menos cruel do que o mundo que os cercava, estava destinada a atingir o sucesso.

5) Joe Gillis (William Holden – Crepúsculo dos Deuses)

O único personagem da lista que não matou ninguém. Pelo contrário, começa o filme morto e nos apresentando a sua história. Gillis é apenas um roteirista pobre, vagando atrás de emprego, que por um acaso do destino se envolve com uma estrela decadente. Em uma verdadeira obra prima, temos um protagonista extremamente humano. Ele toma decisões de acordo com seus impulsos, se arrepende, se apaixona, mente… Como todos os outros personagens desse clássico. Talvez o seu rótulo de anti-herói tenha sido criado, por vermos os fatos pelo seu ponto de vista, isto poderia ser alterado com a troca do narrador. Todos ali são anti-heróis. Todos nós somos anti-heróis.

4) “Mad” Max Rockatansky (Mel Gibson – Mad Max)

Um dos mais conhecidos anti-heróis do cinema, Mad Max é um policial atrás de vingança em meio a um mundo de caos e destruição. Cego pela sua fúria, se mostra egocêntrico, cedendo ajuda apenas àqueles que tem algo a oferecer, e daí para pior. Definitivamente não é o que se espera de um herói convencional.

3) Michael Corleone (Al Pacino – O Poderoso Chefão)

Eventualmente esquecido, o personagem de Al Pacino – figura principal na trilogia, começa como uma pessoa moralmente boa. Um herói de guerra que nega os negócios da família dizendo “esse não sou eu“. Uma tragédia de proporções shakesperianas foi o suficiente para fazer com que este personagem sofresse uma mudança drástica e passasse a assumir de vez o sobrenome Corleone.

2) Alex (Malcolm McDowell – Laranja Mecânica)

O que falar de um jovem que mata, rouba e estupra, sem a menor crise de consciência, mas que também ouve Bethoven? O que poderia ser apenas mais um assassino pertubardo é trazido as telas como uma figura grotescamente carismática. Méritos de McDowell e do sempre competente Kubrick.

Nota: A lista até agora nos mostrou policiais imorais, assassinos e até mesmo um roteirista interesseiro. Passamos por obras que devem seu sucesso, aos mais marcantes protagonistas que já passaram pela telona. Porém nenhum personagem define a noção de anti-herói de maneira tão perfeita quanto o primeiro lugar.

1) Travis Bickle (Robert DeNiro – Taxi Driver)

Bickle é um taxista que passa as madrugadas guiando em meio de uma cidade tomada por assaltantes, prostitutas, traficantes – a escória da humanidade, como ele mesmo define. Simpatizamos facilmente com ele, mais pela seus trejeitos brutos do que propriamente pelo seu carisma. Mas ele se torna um vigilante, uma espécie de lixeiro humano, resolvendo livrar a cidade destes “demônios noturnos” com suas próprias mãos. Com o passar do tempo a escuridão vai tomando conta de sua mente, e mesmo que ainda tenhamos alguma empatia com ele, ficamos assutados com seus atos de heroísmo, vilania e até mesmo redenção. De uma tentativa de matar um candidato político até salvar uma pequena prostituta (Jodie Foster, aos 13 anos) acompanhamos o enlouquecimento de Travis chegando a um ponto que se torna impossível saber o que sua mente insana decidirá a seguir. Obra prima de Scorsese e De Niro, que ainda nos trariam o sensacional Touro Indomável alguns anos depois.

E dessa forma encerro essa lista. Muitos outros anti-heróis ficaram de fora (O Homem sem Nome, Butch Cassidy e Sundance Kid, Han Solo, entre muitos outros) e…

Calma ai.
Eu não posso terminar essa coluna sem uma menção mais do que honrosa. Na verdade você pode até mesmo considerá-lo o primeiro lugar e ignorar tudo o que eu falei até aqui. Se vocês não fizerem idéia de que personagem é este, não percam seu tempo – vão atrás desse filme agora. Já.

 Sonny Wortzik (Al Pacino – Um Dia de Cão)

Fiquem de olho no Primeira Fila dessa semana para ver se a Uiara conseguiu reunir tantos personagens memoráveis quanto eu. Aposto que não.

Nota do Editor: Tema sugerido pelo DJ Raphael Mendes, o cara que manda no Bobagento.

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7 comentários

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Ficou legal Vassourada.

Dos clássicos nem dá para reclamar de ausências, por conta dos presentes no post.

Parabéns.

cara… Al Pacino é foda…

Caramba, alguns filmes eu nem lembrava, tinha assistido quando pequeno, Taxi Driver e Dia de cão vou assistir novamente ou não, não me recordo, esse dia de cão será que tem a ver com aquele dia de fúria do michael douglas? não né?! o Guri do Laranja Mecânica é genial caracas… Videar me lembro até hoje dessa expressão. Infelizmente eu não gostei de Godfather, acho um filme chato, talvez por ter assistido mto tarde. e agora sei porque estes atores tem quase sempre as mesmas caras nos filmes posteriores… Abração òtima lista.

Outro aspecto interessante de Travis Bickle é a forma como a rejeição social que ele sofre faz com que ele passe a sentir crescer seu ódio por outros rejeitados pela sociedade. É como skinheads de famílias de classe média-baixa que, rejeitados pela sociedade, direcionam seu ódio à homossexuais, negros, nordestinos, judeus, punks, etc..

Nunca me esqueço daquela cena dele ao telefone, sendo educadamente rejeitado pela mulher que desejava e, enquanto ele falava, a câmera lentamente move-se para um corredor vazio. Essa é a vida de Travis Bickle, e por ser um anti-herói cujos motivos são os mais humanos possíveis (não uma ideologia, um código de conduta ou uma missão, simplesmente uma forma de direcionar seus medos e traumas contra alguem que não ele mesmo), isso o torna um anti-herói genuinamente humano.

Po so falto o maix foda de todos
o Scarface feito pelo Al pacino
mto foda esse filme!

Gabe
Scarface é de 1983, a lista só vai até 1979.
Abraços.

Excelente post.Na verdade,o anti-herói é o meio termo entre estes extremos citados.
Desperta o fascinio de qualquer um que assiste.
Porque esse rótulo de que a pessoa que faz o bem precisa ser pura e livre de malícia é negócio de indivíduos produzidos em série. 0/
Já ta anotado os que faltam eu conteplar,é sempre bom saber que essa lista nunca acaba.
Abraço.

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